Adivinhação
Adivinhação é a prática — atestada em todas as civilizações conhecidas — de buscar informação sobre o desconhecido (futuro, presente oculto, vontade divina) através de métodos simbólicos: leitura de cartas, lançamento de ossos, interpretação de sonhos, escuta de oráculos, observação de animais ou fenômenos naturais.
A universalidade da prática
Antropólogos identificam adivinhação em sociedades de todos os continentes e de todas as épocas históricas: o oráculo de Delfos na Grécia, o I Ching na China, o jogo de búzios iorubá, as runas vikings, a observação dos vôos de aves entre os etruscos e romanos (auspícios), as entranhas dos animais sacrificados (aruspicina). É um dos universais culturais — perto da linguagem e do casamento.
Em termos antropológicos, a adivinhação serve quatro funções: reduzir a ansiedade diante do desconhecido, legitimar decisões que o consultante já tomou, focar a atenção em aspectos que poderiam passar despercebidos, e organizar narrativas sobre eventos passados ou futuros.
Adivinhação dedutiva vs. indutiva
Os romanos distinguiam dois tipos:
- Adivinhação inspirada (mantike) — o adivinho entra em transe ou recebe visão. A Pítia de Delfos é o exemplo clássico.
- Adivinhação técnica (techne) — interpretação de signos materiais segundo um sistema codificado. O tarô, o I Ching, a quiromancia, a astrologia caem aqui.
A primeira é "subjetiva" e depende do estado do adivinho; a segunda é "objetiva" no sentido de que segue regras explícitas que podem ser aprendidas.