Bibliomancia
Bibliomancia — do grego biblion, "livro" + manteia, "adivinhação" — é a prática de obter resposta oracular abrindo um livro sagrado em página aleatória e lendo o trecho onde caem os olhos. É uma das mâncias mais simples e universais: pratica-se sempre que há livros considerados portadores de sabedoria.
Os livros tradicionalmente usados
- Bíblia — a sortes biblicae, popular na Europa medieval e ainda hoje em comunidades cristãs.
- Alcorão — istikhara, prática islâmica de buscar orientação divina abrindo o livro.
- Eneida de Virgílio — sortes Virgilianae, popular na Roma imperial e na Idade Média europeia.
- Ilíada/Odisseia — sortes Homericae.
- Bhagavad Gita — tradição hindu.
- Tao Te Ching — versão chinesa contemporânea.
- I Ching — embora seja um sistema próprio com 64 hexagramas, é também consultado bibliomanticamente.
O critério essencial: o livro deve ser percebido como portador de sabedoria condensada, para que qualquer trecho seja potencialmente significativo.
Como praticar
- Formule uma pergunta mental clara.
- Tome o livro nas mãos. Respire fundo.
- Abra-o em página aleatória sem olhar.
- Aponte para um ponto da página sem ver.
- Leia o parágrafo ou versículo correspondente.
- Interprete a passagem aplicando-a à sua pergunta.
A maior parte das passagens são suficientemente abertas para permitir interpretação relevante à pergunta — é o equivalente literário do efeito Forer dos horóscopos.
Casos famosos
Santo Agostinho relata em Confissões ter-se convertido ao cristianismo após abrir o Novo Testamento ao acaso e ler Romanos 13:13-14 — episódio que codifica a bibliomancia como prática espiritual mesmo para teólogos. Em séculos posteriores, condenada como superstição pela Igreja oficial, mas continuamente praticada por leigos e clero.