Biorritmo
A teoria do biorritmo sustenta que cada ser humano vive sob três ciclos fixos que começam no nascimento: físico (23 dias), emocional (28 dias) e intelectual (33 dias). Cada ciclo oscila como uma onda senoidal — pico positivo, declínio até zero (dia crítico), pico negativo, retorno a zero. Conhecer onde se está em cada ciclo permitiria, em teoria, planear atividades segundo a energia disponível.
Os três ciclos
- Físico (23 dias) — vitalidade, força, resistência, coordenação. No pico positivo: período favorável para desporto, viagens cansativas, trabalho físico. No pico negativo: descanso recomendado.
- Emocional (28 dias) — humor, sensibilidade, criatividade afetiva, sociabilidade. Próximo ao ciclo lunar (~29,5 dias) e ao ciclo menstrual médio — coincidência intrigante.
- Intelectual (33 dias) — capacidade de aprendizagem, raciocínio, concentração, memória. No pico positivo: bom período para exames, decisões complexas, estudo intensivo.
Os dias críticos — quando um ciclo cruza zero — são considerados mais propensos a erros, acidentes ou mudanças de humor. "Triplo dia crítico" (os três ciclos em zero simultaneamente) seria extremamente raro e potencialmente perigoso, segundo a tradição.
História
Os ciclos de 23 e 28 dias foram propostos por Wilhelm Fliess, médico berlinense amigo de Sigmund Freud, no final do séc. XIX. Fliess via os números 23 e 28 em todas as partes — chegou a obsessão. Hermann Swoboda, psicólogo de Viena, desenvolveu independentemente uma teoria similar. O ciclo intelectual de 33 dias foi acrescentado em 1928 por Alfred Teltscher, professor de engenharia austríaco.
A teoria popularizou-se nos anos 1970 com o livro Biorhythm: A Personal Science de Bernard Gittelson. Houve aplicações comerciais (cartões de biorritmo, calculadoras), incluindo uso (controverso) por algumas empresas para programar turnos de trabalho.
Validade científica
Numerosos estudos controlados (Hines 1998, Bischoff 1980, e outros) não encontraram correlação entre biorritmos e desempenho real. É exemplo paradigmático de pseudoperiodicidade — encontrar padrões cíclicos onde não há.
O que existe e é cientificamente válido: ritmos circadianos (24h), ciclo menstrual (~28 dias), ciclos ultradianos (90 min), ciclos sazonais. Mas estes são ciclos biológicos reais, não os "biorritmos fixos" de Fliess/Swoboda.