Bruxaria
Bruxaria é um termo amplo que designa as práticas mágico-religiosas tradicionalmente atribuídas às "bruxas" — mulheres (e alguns homens) acusadas de manipular forças ocultas, frequentemente perseguidas pela autoridade religiosa europeia entre os séc. XV e XVIII. Hoje, é também o nome adotado por movimentos neopagãos contemporâneos que reivindicam essa tradição.
Bruxaria histórica vs. perseguição
A "bruxaria histórica" tem duas leituras:
- Interpretação tradicional (Margaret Murray, 1921) — as "bruxas" seriam praticantes de um culto pagão pré-cristão da fertilidade que sobreviveu clandestinamente. Tese hoje desacreditada — não havia "religião organizada das bruxas" no séc. XVI.
- Interpretação contemporânea — as acusadas eram em sua maioria curandeiras, parteiras, viúvas idosas, mulheres economicamente independentes que conheciam ervas e práticas populares de cura, alvo de paranoia social manipulada por inquisidores. A perseguição matou entre 40 000 e 60 000 pessoas na Europa entre 1450-1750 — 80% mulheres.
O Malleus Maleficarum (1486) de Heinrich Kramer foi o "manual" mais usado para identificar e julgar bruxas.
Bruxaria moderna: Wicca e outros
A Wicca foi sistematizada na Inglaterra em 1954 por Gerald Gardner (1884-1964) como religião neopagã: politeísta (Deusa Mãe + Deus Cornudo), com rituais sazonais (os 8 Sabás da Roda do Ano), magia, ética baseada na "Regra Tríplice" (o que fizeres volta três vezes) e a "Lei Wicca" ("não causa dano a ninguém e faz o que quiseres").
Outras tradições:
- Bruxaria tradicional (Robert Cochrane, anos 1960) — mais ligada ao folclore britânico.
- Stregheria — tradição italo-americana, popularizada por Raven Grimassi.
- Reclaiming (Starhawk, 1979) — feminista e politizada.
- Bruxaria solitária — sem afiliação a coven, prática individual.