Espiritismo
O espiritismo é a doutrina filosófico-religiosa codificada por Allan Kardec (pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail) entre 1857 e 1868, na França. Sustenta a sobrevivência da alma após a morte, a possibilidade de comunicação entre os mundos dos vivos e dos desencarnados (mediante médiuns), e a reencarnação como mecanismo de evolução espiritual.
A origem moderna
O movimento espírita moderno tem três fontes históricas:
- Hydesville, Nova York, 1848 — as irmãs Fox (Margaret e Kate) alegaram comunicar-se com espírito assassinado através de batidas. Episódio que abriu o "spiritualism" americano e europeu.
- Mesas girantes (Paris e Europa, 1850-1855) — moda das sessões espíritas em salas burguesas, com mesas que "se moviam" sob as mãos dos participantes.
- Codificação de Kardec (1857) — publicação de O Livro dos Espíritos, que organizou as comunicações com 1019 perguntas-respostas. A obra deu ao espiritismo a estrutura doutrinária que faltava ao spiritualism americano.
As cinco obras básicas de Kardec
- O Livro dos Espíritos (1857) — fundamentos.
- O Livro dos Médiuns (1861) — manual prático.
- O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864) — ética e moral.
- O Céu e o Inferno (1865) — escatologia.
- A Génese (1868) — cosmologia.
Espiritismo no Brasil
O Brasil é o país com maior número de espíritas declarados do mundo (~3.8 milhões no censo de 2010 — possivelmente subnotificado). O espiritismo kardecista entrou no país nos anos 1860, ganhou força no séc. XX e produziu figuras-emblema:
- Chico Xavier (1910-2002) — psicografou 469 livros atribuídos a espíritos. Figura quase santificada na cultura brasileira.
- Bezerra de Menezes (1831-1900) — médico e político que sistematizou o espiritismo brasileiro.
- Divaldo Franco (1927-) — orador espírita de longa carreira.
O espiritismo brasileiro distingue-se do francês original pela ênfase na mediunidade de cura, no passe, na desobsessão e na integração com tradições afro-brasileiras (umbanda).