Grimório

Grimório (do francês grimoire, derivado de gramaire, "gramática") é um livro de magia cerimonial contendo fórmulas de evocação, descrições de rituais, sigilos de entidades, listas de demónios e anjos, instruções para confeção de talismãs. Os grimórios florescem na Europa medieval e renascentista, com origens em fontes muito anteriores (egípcias, hebraicas, gregas).

Grimórios famosos

  • Chave de Salomão (Clavicula Salomonis) — atribuído ao rei Salomão; data real séc. XIV-XV. Contém pantáculos planetários e rituais de invocação.
  • Lemegeton / Ars Goetia — séc. XVII, parte do "Pequeno Livro de Salomão". Lista 72 demónios com os seus sigilos. Reformatado por Aleister Crowley e MacGregor Mathers (Aurora Dourada).
  • Heptameron — atribuído a Pietro d'Abano (séc. XIII), embora a versão circulante seja do séc. XVI. Magia angélica por dias da semana.
  • Picatrix (Ghāyat al-Ḥakīm) — manual árabe do séc. X-XI, traduzido para o latim no séc. XIII. Astrologia e magia talismânica.
  • Sexto e Sétimo Livros de Moisés — grimório alemão do séc. XVIII, magia popular.
  • Necronomicon — invenção literária de H. P. Lovecraft (1922), não é grimório real — mas tornou-se cultural relevante.

O que contém um grimório típico

  • Hierarquias espirituais — listas de anjos (Metatron, Sandalfon, Raphael) e demónios (Asmodeus, Belial, Beelzebub) com seus rangos.
  • Sigilos — desenhos abstratos que "representam" e "convocam" cada entidade.
  • Rituais — sequências precisas de palavras, gestos, fumigações, círculos de proteção.
  • Talismãs e amuletos — instruções para confeção e consagração.
  • Tabelas astrológicas — horas planetárias, dias auspiciosos.
  • Receitas alquímicas e ervais — incensos, óleos sagrados.

O Concílio de Trento (séc. XVI) condenou explicitamente os grimórios; circulavam clandestinamente. Hoje são publicados livremente como literatura histórica e ferramentas de magia moderna.

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