Iniciação
Iniciação é o ritual de passagem que marca a entrada de uma pessoa numa nova fase de existência, num novo papel social, ou num círculo esotérico fechado. Antropologicamente, é um dos rituais mais universais da humanidade — atestado em todas as culturas conhecidas. Esotericamente, é o portão de acesso a tradições místicas (maçonaria, ordens herméticas, religiões iniciáticas).
A estrutura tripartite (Van Gennep)
O antropólogo francês Arnold van Gennep, em Os Ritos de Passagem (1909), identificou estrutura comum aos rituais iniciáticos em todas as culturas:
- Separação — o iniciando é retirado da sua condição anterior. Pode ser literal (retiro físico) ou simbólico (vestimenta especial, jejum).
- Margem / Liminaridade — período entre estados. O iniciando está "entre" — nem mais o que era, nem ainda o que será. Frequentemente envolve provações, isolamento, mestres.
- Agregação / Incorporação — o iniciando é reintegrado à comunidade no novo papel/estatuto.
Este esquema aplica-se desde rituais de puberdade tribais até iniciações maçônicas e graus de ordens herméticas.
Iniciação em ordens esotéricas
As tradições iniciáticas ocidentais modernas trabalham geralmente com sistemas de graus:
- Maçonaria especulativa — três graus básicos (Aprendiz, Companheiro, Mestre) + graus superiores nos ritos derivados.
- Aurora Dourada — 10 graus correspondentes às 10 sefirot da Árvore da Vida.
- OTO — 13 graus de iniciação progressiva.
- Wicca tradicional — 3 graus (1º Grau de Sacerdócio, 2º, 3º).
- Candomblé e umbanda — várias etapas: bori, feitura de santo, deká.
Cada grau implica novos saberes, novos rituais, e novos votos de confidencialidade.