Lilith
Lilith tem dois sentidos distintos: na mitologia mesopotâmica e judaica, é uma figura demonificada da feminilidade selvagem (mencionada em Isaías 34:14 do Antigo Testamento e desenvolvida no Alfabeto de Ben Sira, séc. VIII-X d.C.); em astrologia moderna, é a "Lua Negra" — um ponto matemático no mapa astral associado ao feminino reprimido, à sexualidade não-domesticada e ao instinto.
A Lilith mitológica
Segundo o Alfabeto de Ben Sira (séc. VIII-X), Lilith teria sido a primeira esposa de Adão, criada simultaneamente com ele, do mesmo barro — não da sua costela. Recusou submeter-se a Adão sexualmente ("por que devo ficar embaixo?"), foi banida do Éden e tornou-se demónio noturno. Eva foi criada depois, da costela, como segunda tentativa.
A história não é bíblica — é midráshica medieval —, mas tornou-se central no judaísmo místico (Cabala) e na cultura ocidental como símbolo da feminilidade que recusa subordinação.
O feminismo do séc. XX reapropriou-se de Lilith como ícone da mulher livre. A revista feminista americana Lilith Magazine circula desde 1976.
A Lilith astrológica
Em astrologia, há quatro "Liliths" possíveis:
- Lua Negra Mean — o apogeu médio da órbita lunar. A Lilith mais usada.
- Lua Negra True / Oscillating — o apogeu real, com cálculo mais preciso e movimento errático.
- Asteroide Lilith (1181) — asteroide real descoberto em 1927.
- Lilith de Waldemath — alegada "segunda lua" da Terra (não existe na verdade).
A Lilith no mapa natal mostra onde a sua feminilidade selvagem se expressa — independentemente do sexo da pessoa. Lilith em Áries: pode tornar-se guerreira. Em Câncer: mãe que devora. Em Capricórnio: mulher de carreira implacável. Em Peixes: feiticeira intuitiva.