Magia
Magia é o conjunto de práticas que pretendem produzir efeitos no mundo através da operação simbólica — rituais, palavras de poder, símbolos, intenções concentradas. A palavra vem do grego mageía, originalmente "a arte dos magos" persas (sacerdotes zoroastrianos de quem os Reis Magos do Evangelho seriam herdeiros).
Magia natural, cerimonial e popular
A tradição esotérica distingue três grandes formas:
- Magia natural — uso de propriedades ocultas dos elementos naturais (ervas, pedras, astros) para fins terapêuticos ou divinatórios. Próxima da medicina pré-moderna. Paracelso, Pico della Mirandola.
- Magia cerimonial / alta magia — rituais complexos com símbolos, círculos, invocações, baseados em sistemas cabalísticos ou herméticos. Aurora Dourada, Aleister Crowley.
- Magia popular / folk magic — práticas tradicionais transmitidas oralmente: simpatias, mãos-rezadeiras, banhos, amuletos. Vive em todas as culturas e atravessa épocas.
Magia branca, negra e cinza
A distinção popular entre magia branca (para o bem do outro), magia negra (para fazer mal) e magia cinza (para o próprio benefício, neutra) é uma simplificação moderna. Na tradição esotérica, a distinção é menos sobre intenção e mais sobre forças invocadas: alta magia (correspondências divinas) vs. baixa magia (forças menores ou demoníacas).
Tradições afro-brasileiras (umbanda, candomblé, quimbanda) têm o seu próprio vocabulário, distinto da divisão branca/negra ocidental.
Magia e antropologia
O antropólogo James George Frazer, em O Ramo de Ouro (1890), propôs duas leis universais da magia simpática:
- Lei da semelhança — "o semelhante produz o semelhante". Boneco vudu, simpatia com cabelos.
- Lei do contato/contágio — coisas que estiveram em contato continuam a se influenciar. Roupas, fotografias.
Frazer via a magia como pseudociência primitiva — visão hoje contestada, mas as duas leis continuam descritivas das práticas mágicas globais.