Mandala
Mandala (sânscrito maṇḍala, "círculo") é um diagrama geométrico circular usado em ritual, meditação e simbologia espiritual nas tradições hindu, budista e jainista. Tem origens védicas (textos rituais 1500-500 a.C.) e desenvolveu-se especialmente no budismo tibetano (séc. VIII d.C. em diante) como representação do cosmos e suporte de prática contemplativa.
Função tradicional
No budismo tibetano vajrayana, a mandala é:
- Mapa cósmico — representa um universo organizado, com um Buda ou divindade no centro e camadas concêntricas de seres, elementos e proteções.
- Suporte de meditação — o praticante visualiza-se a entrar na mandala, percorrendo as suas regiões internas.
- Ferramenta de transformação — através da identificação com a divindade central, o praticante atualiza qualidades despertas.
Em ocasiões especiais, monges criam mandalas com areia colorida em rituais que duram dias ou semanas — e, terminado o ritual, destroem a mandala para ensinar a impermanência. O pó é vertido em rio sagrado.
Jung e a mandala
Carl Jung descobriu a mandala como espontaneamente produzida pelos seus pacientes em momentos de integração psíquica. Em Memórias, Sonhos, Reflexões (1962), conta como começou a desenhar mandalas diariamente após o seu rompimento com Freud (1913-1918) — desenhos que correspondiam ao seu estado de individuação.
Para Jung, a mandala é símbolo do Self — a totalidade integrada da psique, com o ego como centro relativo ao redor do qual se organizam as polaridades. A produção espontânea de mandalas seria sinal de processo psíquico saudável de integração.
Uso contemporâneo
Em terapia, arte-terapia, escolas (especialmente Waldorf), educação infantil — pintar mandalas é exercício de concentração e auto-regulação. Não é necessário aderir a budismo ou hinduísmo para usar a forma como ferramenta contemplativa.