Necromancia
Necromancia (do grego nekrós, "morto" + manteia, "adivinhação") é a prática de adivinhação consultando os mortos. Confundida frequentemente com nigromancia ("magia negra"), mas tem origem distinta: necromancia é adivinhatória, nigromancia é mágica. As duas palavras misturaram-se no português medieval por similaridade fonética.
Origem antiga
A necromancia tem precedentes nas culturas mesopotâmica, egípcia e grega antigas. O Livro dos Mortos egípcio descreve fórmulas para evocar mortos. Na Odisseia de Homero, Ulisses desce ao Hades para consultar o adivinho Tirésias morto.
No Antigo Testamento (1 Samuel 28), o rei Saul consulta a Bruxa de Endor, que evoca o profeta morto Samuel para responder à sua pergunta — uma das poucas necromancias bíblicas, descrita como prática proibida pela lei mosaica.
Na Roma e na Grécia tardias, oráculos dos mortos (nekyomanteion) eram templos onde se podiam consultar as almas — sítios famosos: Cuma, Tainaron, Acherusia.
Necromancia medieval e renascentista
Na Europa medieval e renascentista, a necromancia foi praticada por uma minoria de eruditos eclesiásticos — apesar das proibições da Igreja — e codificada em grimórios (livros de magia) como o Munich Manual ou o Heptameron. Os rituais envolviam círculos de proteção, fumigação, evocações em latim e a presença de objetos do morto.
O espiritismo moderno (séc. XIX) é, em certo sentido, uma continuação democratizada da necromancia — mas sem os rituais cerimoniais elaborados, agora acessível em saletas familiares com médiuns comuns.