Ocultismo
Ocultismo é o termo guarda-chuva para o estudo e prática de conhecimentos esotéricos considerados "ocultos" — não no sentido de secretos por design, mas de difíceis de acessar e contrários ao paradigma científico dominante. Abrange astrologia, alquimia, magia cerimonial, espiritismo, cabala ocultista, teosofia, parapsicologia, e diversas tradições místicas.
A história do termo
"Ocultismo" como categoria coerente nasce no séc. XIX, especialmente com Éliphas Lévi (1810-1875) — pseudônimo de Alphonse Louis Constant, ex-padre francês cuja obra Dogma e Ritual da Alta Magia (1854-56) tornou-se referência. Lévi integrou cabala, tarô e magia cerimonial num sistema coerente que influenciou toda a tradição esotérica posterior.
O ocultismo do séc. XIX-XX produziu organizações influentes:
- Sociedade Teosófica (Blavatsky, 1875).
- Ordem Hermética da Aurora Dourada (Londres, 1888).
- Ordo Templi Orientis (OTO) (Alemanha, 1895; reorganizada por Crowley).
- Fraternidade da Rosa-Cruz Áurea (várias linhas).
- Sociedade Antroposófica (Rudolf Steiner, 1913).
Distinção crucial
A tradição ocultista clássica distingue:
- Esotérico — interno, voltado para os iniciados, com práticas e símbolos compartilhados.
- Oculto — escondido, requer iniciação ou esforço pessoal para descobrir.
- Exotérico — externo, religião pública e acessível.
O ocultista clássico não rejeitava a religião pública — operava num plano paralelo, frequentemente integrando temas religiosos numa leitura mais profunda. Eliphas Lévi era católico devoto.
O ocultismo hoje
O ocultismo permanece vivo no séc. XXI em três grandes vertentes: Wicca e neopaganismo (popular, descentralizado), magia do caos (Peter Carroll, Phil Hine — anos 1980, pragmática), e tradições iniciáticas herdadas dos séc. XIX-XX (sucessoras da Aurora Dourada, OTO). A internet democratizou o acesso a textos antes restritos.