Psicografia
Psicografia (do grego psyché, "alma" + gráphein, "escrever") é a alegada escrita mediúnica produzida por um médium em estado de transe, atribuída a espíritos desencarnados que "ditariam" os textos através da mão do médium. É a forma de mediunidade mais difundida no Brasil, particularmente no espiritismo kardecista.
Como ocorre
Existem dois tipos principais:
- Psicografia mecânica — o médium não tem consciência do que escreve; a mão move-se automaticamente, frequentemente com letra muito diferente da habitual do médium.
- Psicografia inspirada / intuitiva — o médium "ouve" mentalmente as palavras dos espíritos e as transcreve conscientemente.
Na tradição espírita, a psicografia mecânica é considerada mais "pura" (menos interferência do médium), mas mais rara.
Chico Xavier, o médium-fenómeno
Francisco Cândido Xavier (1910-2002), mineiro de Pedro Leopoldo, psicografou ao longo da sua vida cerca de 469 livros, atribuídos a 200 espíritos diferentes. As obras incluem romances (Nosso Lar, Cinquenta Anos Depois), poesia (atribuída a Cruz e Sousa, Augusto dos Anjos), tratados doutrinários (atribuídos a Emmanuel, André Luiz).
Estilometria: estudos linguísticos mostraram diferenças sutis entre os "estilos" de espíritos distintos, embora críticos atribuam à habilidade pessoal do Chico em variar o registo. Chico nunca aceitou direitos autorais — todas as receitas foram doadas a obras de caridade. Foi o brasileiro mais votado no concurso "O Maior Brasileiro" da BBC Brasil (2012).
Crítica e ciência
A explicação céptica da psicografia é o automatismo — fenómeno psicológico real em que parte do inconsciente produz escrita coerente sem controle do consciente. Sigmund Freud usou escrita automática em experimentos iniciais. Estudos com Chico Xavier (William Lima da Silva, Adriana Sirley) tentaram cientificizar o fenómeno mas não chegaram a consenso.
Independentemente da explicação, as obras psicografadas têm enorme valor cultural e devocional para milhões de pessoas no Brasil.