Reencarnação
Reencarnação é a crença de que a alma — ou um princípio espiritual nominalmente equivalente — sobrevive à morte do corpo e renasce noutro corpo, repetidamente, até atingir algum estado de libertação ou conclusão. É uma das doutrinas religiosas mais difundidas do mundo: estimadamente 30% da humanidade adere a alguma forma de reencarnação.
Tradições que afirmam a reencarnação
- Hinduísmo — reencarnação como parte do ciclo de samsara, governado por karma. Libertação final = moksha.
- Budismo — renascimento (não exatamente "reencarnação", porque o budismo não postula alma fixa). Libertação = nirvana.
- Jainismo, siquismo, taoísmo popular — variações sobre o tema.
- Pitagorismo grego (séc. VI a.C.) — metempsicose, transmigração da alma entre corpos humanos e animais.
- Druidas celtas — segundo Júlio César, ensinavam reencarnação como motivação para a coragem em batalha.
- Espiritismo kardecista (séc. XIX) — Allan Kardec ressuscitou a doutrina no Ocidente cristão.
- Teosofia, antroposofia, Nova Era — séc. XIX e XX, popularizam o conceito.
Tradições que negam ou silenciam
O cristianismo oficial rejeita a reencarnação desde o sínodo de Constantinopla (553 d.C.), que condenou explicitamente a doutrina pré-existência das almas de Orígenes. Algumas vertentes cristãs medievais (cátaros, bogomilos) tinham crença reencarnacionista — foram brutalmente eliminadas pela Inquisição.
O islamismo rejeita a reencarnação (com exceção de algumas seitas xiitas marginais). O judaísmo oficial é silencioso sobre o tema, mas a Cabala (sobretudo Isaac Luria, séc. XVI) ensina gilgul — uma forma judaica de reencarnação.
Investigação científica
O psiquiatra Ian Stevenson da Universidade de Virgínia documentou (1960-2007) mais de 3 000 casos de crianças que diziam recordar vidas passadas, com detalhes alegadamente verificáveis. O seu trabalho é controverso: críticos apontam fragilidades metodológicas, defensores citam o rigor da pesquisa. Não há consenso científico — mas tampouco refutação completa.