Sefirot
As Sefirot (plural de Sefirá, hebraico ספירה, "esfera", "enumeração") são as dez emanações divinas que estruturam a Árvore da Vida da Cabala. Representam os atributos e modos de manifestação de Deus no universo, desde a fonte absoluta até a realidade material. São o esqueleto conceitual da mística judaica e influenciaram profundamente o ocultismo ocidental.
As dez Sefirot e os seus significados
- Keter (כתר, Coroa) — a fonte primordial, vontade pura, inalcançável diretamente.
- Chokhmah (חכמה, Sabedoria) — primeira emanação criativa, o relâmpago da inspiração.
- Binah (בינה, Entendimento) — recepção, contenção, ventre cósmico.
- Chesed (חסד, Misericórdia / Bondade) — expansão amorosa, generosidade.
- Gevurah (גבורה, Severidade / Juízo) — contração, limite necessário, justiça.
- Tiferet (תפארת, Beleza) — equilíbrio central, harmonia, coração da Árvore.
- Netzach (נצח, Eternidade / Vitória) — força impulsiva, persistência.
- Hod (הוד, Glória / Esplendor) — forma, comunicação, estrutura.
- Yesod (יסוד, Fundamento) — base que conecta o espiritual ao material.
- Malkhut (מלכות, Reino) — a manifestação material, o mundo físico.
Os três pilares
As dez Sefirot organizam-se em três colunas (pilares):
- Pilar da Misericórdia (direita) — Chokhmah, Chesed, Netzach. Expansão.
- Pilar do Equilíbrio (centro) — Keter, Tiferet, Yesod, Malkhut. Harmonia.
- Pilar da Severidade (esquerda) — Binah, Gevurah, Hod. Contração.
O equilíbrio entre os pilares é tema central da prática cabalística: nem expansão excessiva (que dissolve) nem contração excessiva (que rigidifica).
Sefirot, planetas e tarô
A Aurora Dourada (séc. XIX) atribuiu correspondências planetárias e tarológicas a cada Sefirá: Keter–Sol primal, Chokhmah–Urano/Zodíaco, Binah–Saturno, Chesed–Júpiter, Gevurah–Marte, Tiferet–Sol, Netzach–Vênus, Hod–Mercúrio, Yesod–Lua, Malkhut–Terra.
Os 22 caminhos que ligam as Sefirot na Árvore correspondem aos 22 arcanos maiores do tarô — eixo central da leitura cabalística do tarô.