Tarô
O tarô (também escrito tarot em francês e inglês) é um baralho de 78 cartas que serve, hoje, como instrumento adivinhatório e de auto-conhecimento simbólico. A sua origem é, no entanto, lúdica: surgiu na Itália do século XV como um jogo de cartas chamado trionfi ("triunfos"), aparentado ao moderno bridge.
Origem histórica
Os primeiros baralhos de tarô conservados — o Visconti-Sforza, encomendado por Filippo Maria Visconti, duque de Milão, por volta de 1450 — eram pinturas em ouro, feitas à mão para a aristocracia. Não havia leitura oracular: o tarô era um jogo de cartas para a corte. A virada esotérica aconteceu três séculos depois, em 1781, quando o ocultista francês Antoine Court de Gébelin, num ensaio publicado no oitavo volume da sua obra Le Monde Primitif, propôs que os arcanos eram remanescentes do "Livro de Toth" — um suposto saber secreto do antigo Egito. Não havia evidência histórica para a tese, mas ela vingou.
A partir daí, o tarô foi sucessivamente reinterpretado: por Etteilla (Jean-Baptiste Alliette), que publicou em 1785 o primeiro manual cartomântico francês; por Éliphas Lévi, que em 1856 ligou o tarô à Cabala; pela Aurora Dourada inglesa, que em 1888 codificou as correspondências astrológicas e cabalísticas que dominam o tarô moderno; e finalmente por A. E. Waite e Pamela Colman Smith, que em 1909 publicaram o baralho hoje mais usado no mundo ocidental.
Estrutura do baralho
78 cartas, divididas em:
- 22 arcanos maiores (numerados de 0 a 21): O Louco, O Mago, A Sacerdotisa, A Imperatriz, O Imperador, O Hierofante, Os Enamorados, O Carro, A Justiça, O Eremita, A Roda da Fortuna, A Força, O Enforcado, A Morte, A Temperança, O Diabo, A Torre, A Estrela, A Lua, O Sol, O Julgamento, O Mundo.
- 56 arcanos menores em 4 naipes de 14 cartas cada: paus (fogo), copas (água), espadas (ar), ouros/pentáculos (terra). Cada naipe tem 10 cartas numéricas (Ás a 10) e 4 cartas de corte (Valete, Cavaleiro, Rainha, Rei).
Uso prático
No uso contemporâneo, o tarô combina três funções:
- Adivinhatória — interpretação simbólica de uma situação atual ou de tendências.
- Psicológica — espelho arquetípico (a abordagem inaugurada por Carl Jung).
- Meditativa — cada arcano como objeto de contemplação.
A maioria dos tarólogos profissionais hoje rejeita explicitamente o uso "preditivo" e prefere uma leitura simbólica do presente. Veja a nossa página de tarô para experimentar dez baralhos diferentes.