Tetragrammaton

Tetragrammaton (do grego tetra, "quatro" + grámma, "letra") é o nome das quatro letras hebraicas יהוה (YHWH) — Yod, Hê, Vav, Hê — que formam o nome próprio de Deus no Antigo Testamento, considerado tão sagrado pela tradição judaica que não pode ser pronunciado.

O nome impronunciável

No judaísmo, o Tetragrammaton aparece milhares de vezes no Tanakh (Bíblia hebraica), mas a tradição proíbe a sua pronúncia desde a era do Segundo Templo. Quando o leitor encontra YHWH no texto, substitui por Adonai ("Senhor") ou Hashem ("O Nome"). A vocalização original perdeu-se historicamente.

As reconstruções modernas — "Yahweh", "Jeová" — são tentativas eruditas:

  • "Jeová" resulta da combinação acidental das consoantes YHWH com as vogais de Adonai (a, o, a), inventada no séc. XVI por estudiosos cristãos. Foneticamente, é provavelmente errada.
  • "Yahweh" é reconstrução académica mais provável, baseada em transcrições gregas antigas (Origenes, Clemente de Alexandria).

Significado etimológico

YHWH deriva provavelmente do verbo hebraico hayah, "ser". O texto de Êxodo 3:14 oferece a famosa autodefinição: "Ehyeh asher Ehyeh" — "Eu sou aquele que sou" ou "Eu serei aquele que serei". O Tetragrammaton aponta para Deus como existência absoluta, fora do tempo, princípio de todo o ser.

Tetragrammaton no ocultismo

Na cabala cristã e no ocultismo do séc. XIX-XX, o Tetragrammaton tornou-se símbolo de poder mágico. Cada letra é associada a um elemento:

  • Yod (י) — fogo.
  • Hê (ה) — água.
  • Vav (ו) — ar.
  • Hê (ה) — terra.

Gravado em talismãs, recitado em invocações, projetado nos quatro lados do pentagrama em rituais da Aurora Dourada — o Tetragrammaton é uma das fórmulas-chave da magia cerimonial ocidental.

Na gematria, YHWH = 10 + 5 + 6 + 5 = 26, número considerado especialmente potente.

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