Zen
Zen é a escola de budismo que enfatiza a meditação sentada (zazen) como caminho direto para o despertar. Originada na China como chan (séc. VI d.C., trazida da Índia por Bodhidharma segundo a tradição), passou para o Japão no séc. XII e tornou-se a forma mais conhecida de budismo no Ocidente.
Duas escolas principais
- Rinzai — ênfase nos koans, paradoxos meditativos ("qual é o som de uma só mão a bater palmas?"). Aproximação confrontadora ao despertar súbito (kensho).
- Soto — ênfase no zazen "silencioso e iluminado" (shikantaza) — sentar-se sem buscar nada, deixando a iluminação acontecer naturalmente. Fundado no Japão por Dogen (séc. XIII).
Uma terceira escola, Obaku, é menos difundida.
Filosofia central
O zen distingue-se de outros budismos pela desconfiança da palavra escrita e da elaboração doutrinária. Os mestres clássicos chineses (Linji, Zhaozhou, Yunmen) usavam respostas paradoxais, gritos, bastonadas como ensinamento. A famosa frase atribuída a Bodhidharma resume o programa: "transmissão fora das escrituras, sem dependência de palavras, apontando diretamente para o coração humano, ver a natureza e tornar-se Buda".
No Ocidente, D. T. Suzuki (1870-1966), Alan Watts (1915-1973) e Shunryu Suzuki (autor de Zen Mind, Beginner's Mind, 1970) popularizaram a tradição.
Influência cultural
O zen permeou profundamente a cultura japonesa: caligrafia, pintura sumi-e, cerimónia do chá, arranjo floral (ikebana), jardins secos, artes marciais (tiro com arco, esgrima). A estética wabi-sabi (beleza do imperfeito e impermanente) é parte do imaginário zen.