Cleromancia
A cleromancia — do grego klēros, "sorte", "lote" + manteia, "adivinhação" — é a categoria geral das mâncias por lançamento de objetos: dados, ossinhos, conchas, ervas, pedras, búzios, cartas. Inclui a cubomancia (dados), a caracolomancia (conchas/búzios), a astragalomancia (ossinhos) e muitas outras.
A universalidade do "tirar à sorte"
Lançar lotes para tomar decisões ou obter respostas é prática presente em quase todas as culturas humanas. Encontra-se em:
- Bíblia — eleição do apóstolo Matias por sorteio (Atos 1:26): "Lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Matias".
- Grécia antiga — os hábitos de tirar à sorte para eleger magistrados em Atenas (a democracia ateniense era em grande parte cleromântica).
- Roma — sortes Vergilianae, abertura de Virgílio ao acaso para presságios.
- África — múltiplos sistemas tradicionais: Ifá entre os iorubás, hákátá entre os Shona, búzios afro-brasileiros.
- Mongólia e Sibéria — leituras de ossos de carneiro tornados oraculares.
- China — yarrow stalks para o I Ching (cleromancia com 50 talos).
A teoria por trás
A cleromancia parte do princípio de que o "acaso" não é puramente aleatório — é um canal pelo qual o sagrado ou o inconsciente coletivo se manifesta. É o coração da sincronicidade de Jung: o lançamento é estatisticamente aleatório, mas o resultado dialoga significativamente com a pergunta.
Para o praticante religioso tradicional, é Deus (ou os espíritos, ou os deuses) quem orienta a queda dos lotes. Para a leitura junguiana moderna, é o inconsciente próprio que se manifesta na seleção aleatória.