Esotérico
Esotérico (do grego esōterikós, "interior", de esō, "dentro") é o adjetivo que designa um conhecimento, prática ou doutrina que se transmite internamente — destinado aos iniciados de um círculo —, em contraste com o exotérico, que é externo, público, ensinado abertamente.
A distinção original
A oposição esotérico/exotérico nasce na escola pitagórica (séc. VI a.C.): havia dois tipos de discípulos — os esōterikoí, que tinham acesso aos ensinamentos profundos (matemática mística, harmonia, vegetarianismo, doutrina da metempsicose), e os exōterikoí, que aprendiam apenas as práticas externas (música, ginástica, ética geral). A divisão era pedagógica: o conhecimento profundo requer preparação prévia.
Aristóteles, séculos depois, distinguiu os seus diálogos para o público (exotéricos) dos tratados que circulavam apenas entre alunos do Liceu (esotéricos).
Esoterismo no séc. XIX-XX
O termo "esoterismo" como nome de um campo de estudos foi cunhado pelo erudito francês Jacques Matter em 1828. Refere-se ao conjunto de correntes ocidentais que herdaram tradições "interiores" — hermetismo, alquimia, cabala cristã, magia cerimonial, gnosticismo, rosacrucianismo, teosofia. O acadêmico contemporâneo de referência é Antoine Faivre, que identificou seis traços do esoterismo ocidental:
- Correspondências (entre microcosmo e macrocosmo).
- Natureza viva (a realidade é animada).
- Mediação por símbolos e rituais.
- Experiência de transmutação interior.
- Concordância entre tradições (todas dizem o mesmo essencial).
- Transmissão por linhagem iniciática.
Usos atuais do termo
"Esotérico" cobre hoje um espectro amplo: do estudo académico sério das tradições (cátedras universitárias de "esotericism" em Amsterdão, Paris, Bochum) ao mercado popular de loja de produtos esotéricos, livros de auto-ajuda new age e práticas terapêuticas alternativas. Os dois extremos não se reconhecem reciprocamente — mas partilham o termo.