Nigromancia
Nigromancia (do latim niger, "preto" + grego manteia, "adivinhação", ou contaminação medieval do grego nekromanteia) designa historicamente a magia maléfica — comumente chamada "magia negra" — e por extensão, em alguns contextos, a invocação de demónios. Sofreu confusão fonética com necromancia ao longo da Idade Média, e os dois termos misturaram-se em português.
A confusão histórica
A palavra original grega era nekromanteía — "adivinhação pelos mortos". Quando passou para o latim medieval, o "nekro" (morte) foi incorretamente reinterpretado como "negro" (cor preta), e o termo derivou para nigromantia — "magia negra" em geral. Os dois sentidos coexistiram durante séculos:
- Necromancia (sentido grego original) — adivinhação consultando mortos.
- Nigromancia (sentido latino medieval) — magia maléfica em geral, com ou sem mortos.
Em português moderno, "nigromancia" praticamente desapareceu, e o seu sentido foi absorvido por "magia negra". "Necromancia" também é usada genericamente como "magia negra" em literatura popular (RPG, jogos), embora tecnicamente signifique só a adivinhação por mortos.
Nigromancia medieval europeia
Na Europa medieval, "nigromancia" era usada pela Igreja para designar magia diabólica — pactos com demónios, invocações cerimoniais, talismãs maléficos. Era explicitamente proibida e punida. O Malleus Maleficarum (1486) trata a nigromancia como crime grave.
Praticantes que se descobriam ser nigromantes eram presos ou executados durante a perseguição às bruxas (séc. XV-XVII). Algumas figuras famosas acusadas: Gilles de Rais (1440), Cornelius Agrippa (escapou por proteção dos seus mecenas).